Músico finaliza disco com a com a cantora
Wanda Sá e lança DVD gravado com o ex-Police
Andy Summers
Uma das mais profícuas e duradouras parcerias
da bossa nova retorna ao estúdio. Roberto
Menescal e Wanda Sá estão nas últimas etapas
da gravação de Declaração, disco que surgiu a
partir da necessidade de “realizar um
trabalho mais íntimo, em contraposição a esta música pra pular
brasileira de hoje”, como conta Menescal.
Gravado apenas com a guitarra semiacústica de
Menescal, o baixo de Adriano Giffoni e a voz de Wanda, o novo álbum
revisita Vagamente (1964), estreia fonográfica da cantora e um
dos
primeiros em que Menescal atuou como produtor
e arranjador.
– É um novo-velho
projeto.
Esse clima intimista foi inspirado na
gravação de Inútil paisagem (Tom Jobim e Aloysio de
Oliveira), de 1964, que, acidentalmente, foi
registrada neste formato – recorda o músico, que se apresenta
hoje, no Teatro Rival Petrobras, ao lado de Cris Delanno e do grupo
BossaCucaNova. – Lembro que a gravação, que incluía orquestra
regida por Eumir Deodato, estava programada para o dia 1º de abril,
quando ocorreu o golpe militar. Chegamos ao estúdio, eu, Wanda, o
técnico de som e o baixista, mas não apareceu
ninguém.
Como éramos “alienados” na época,
estranhamos a ausência dos músicos e gravamos com
guitarra, baixo e voz.
O outro projeto de Menescal para o primeiro
semestre também parte de um encontro, desta vez com o guitarrista
Andy Summers, ex-Police, com quem gravou o DVD The United Kingdom
of Ipanema, registrado em 2008, e que deve ser lançado nos próximos
meses.
A dupla deve voltar a tocar junta ainda este
ano, numa turnê pelo Brasil, Estados Unidos e
Europa.
A parceria surgiu na época em que gravou,
junto com a cantora Cris Delanno, o álbum Eu e Cris (2005). Na
ocasião, os dois estavam selecionando canções, quando Cris sugeriu
para Menescal a música R oxane, um dos maiores sucessos da banda
inglesa.
– Falei pra ela: “Essa não dá
Cris, é muito barulhenta” — recorda Menescal. —
Na próxima
reunião para escolha de repertório, ela me mostrou uma outra versão
da música, mais suave, do
George Michael.
Gostei, fiz um arranjo puxado para bossa nova
e ela entrou no disco.
A gravação cruzou o Atlântico e chegou aos ouvidos de Summers, que,
quando veio ao Brasil, há dois anos, quis conhecer o responsável
pelo arranjo bossanovista de Roxane.
Inicialmente,
marcaram um almoço, que logo evoluiu para uma
jam session na casa de Menescal. Da reunião, surgiu a ideia da
gravação de um disco com as canções da banda inglesa vertidas para
a roupagem bossa nova.
– Disse que era muito difícil fazer
esses arranjos, e ele respondeu: “na verdade, eu não quero
saber do Police, quero que você me mostre a bossa nova –
conta Menescal. – Aí sugeri que gravássemos um DVD, com o
registro de dois shows que fizemos no Teatro Ginástico, e com um
passeio por lugares representativos do gênero no Rio, como o antigo
apartamento de Nara Leão.
– Lá, nós começamos a tocar e, aos
poucos, foram chegando Marcos Valle, Leila Pinheiro, Pery Ribeiro.
O Andy Summers ficou maravilhado: “isto não existe na
Inglaterra”. Está tudo registrado neste
DVD.
Ao lado de Wanda Sá, Menescal retoma a
colaboração que, depois do disco de 1964, voltou a dar frutos nos
anos 90, época em que gravaram Eu e a música (95); Uma mistura fina
(97), e Estrada Tóquio-Rio(98).
O intervalo foi provocado pela mudança de
Wanda para os EUA e pelo fato de Menescal ter
atuado durante 16 anos exclusivamente como
produtor musical, na Polygram.
– Durante esse tempo fiquei sem tocar,
nem instrumento tinha mais. A Nara Leão foi quem me trouxe de volta
para o violão, quando gravamos Um cantinho, um violão (1985)
– lembra
Menescal.
– Saímos em turnê pelo Japão e lá soube que ela estava
doente. O médico tinha dado um ultimato de três meses de vida pra
ela, que se estendeu para quatro anos. Decidi acompanhá-la durante
esse período, afinal ela era minha amiga desde os 12 anos. Quando
ela nos deixou, a Wanda reapareceu e fizemos um show em Niterói,
retomando nossa parceria em apresentações e
gravações.
Além da faixa que dá título ao disco e de
Inútil paisagem, o repertório de Dedicaçãoinclui canções como
Bilhete, de Ivan Lins e Vitor Martins; Agarradinhos, parceria de
Menescal com a cantora Rosalia de Souza; Eu canto meu blues,
parceria com Oswaldo Montenegro; Nós e o mar, uma das primeiras
composições de Menescal, em parceria com Ronaldo Bôscoli; e Se eu
pudesse dizer que te amei, com Paulo César
Feital.
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