Home Data de criação : 07/07/23 Última atualização : 12/01/28 06:33 / 1461 Artigos publicados

30 anos sem Elis Regina  (MPB) escrito em sábado 28 janeiro 2012 03:33

Blog de bossa-mag :Bossa Nova, Henri Salvador,Leny Andrade, Jobim, B Powell,J Gilberto,Lyra,Teresa Cristina, 30 anos sem Elis Regina

 

30 anos sem Elis Regina

Cantoras da nova MPB falam sobre a influência da grande dama da música em suas carreiras

por Larissa Saram

Terça-feira, 19 de janeiro de 1982. O relógio marcava 10h30 quando duas portas do apartamento na rua Melo Alves, região dos Jardins, em São Paulo, tiveram de ser arrombadas. Lá dentro, a história da música brasileira ganhava um novo e triste capítulo. Elis Regina estava caída no chão de seu quarto. Sem vida.

Depois de 30 anos, a morte da cantora ainda é uma lembrança dolorida para os admiradores da boa música. Dona de apresentações exuberantes, marcadas pelo inesquecível movimento de braços e intensidade vocal quase agressiva, a gaúcha deixou como herança sua genialidade em conseguir amalgamar de forma equilibrada técnica e emoção. Não é à toa que algumas das principais vozes femininas brasileiras buscam em Elis o exemplo da perfeição que gostariam de alcançar.

Convidamos cinco artistas da nova safra da MPB para falar sobre a importância do furacão Elis Regina em suas formações como pessoas e cantoras. Uma homenagem a uma das maiores estrelas do cancioneiro nacional.

Silvia Machete

"Eu não me lembro da primeira vez em que ouvi Elis Regina, mas aos 16 anos veio parar na minha mão um CD dela cantando em Montreux. Foi quando conheci Madalenae Atrás da Porta. Quanto mais eu ouvia, mais eu gostava do disco e da cantora. Hoje, quanto mais informação tenho a respeito da Elis, mais fico impressionada. Acho que era uma artista que amava estar no palco, então me identifico. A intensidade dela me toca muito. Minha canção favorita é Alô Alô Marciano, porque é debochada, Elis brinca demais com a voz e a interpretação."

Blubell

"Se o Brasil tem uma cantora de jazz, essa artista é Elis Regina. Ela tem uma importância enorme na minha formação, estudei sua obra a fundo enquanto aprendia música. A Elis me ensinou a ser séria, no sentido de saber o que se canta, aprofundar-se em suas letras até entrar em você, para cantar aquilo como quem conta uma história que viveu. E ela fazia isso como ninguém. Em outra fase, Elis me ensinou a ter senso de humor ao cantar e essa lição também foi importantíssima. Minha mãe tinha vários LPs dela em casa, então a ouço desde criança. Lembro de cantar e dançar bem novinha ao som de Alô-Alô Marciano... Mas uma das canções que me arrebatam é Por Toda a Minha Vida. Aliás, todo o disco "ElisTom" é de uma preciosidade sem tamanho."

Cibelle

"Conheci Elis Regina aos 17 anos, com ElisTom. Ouvi o disco inteiro e foi muito emocionante, sai comprando todos os CDs dela e ouvia muito, sem parar. Aquela interpretação repleta de sentimento é algo que hoje em dia já não se vê mais. Ela não se preocupava em cantar certinho, e é isso que eu amo e admiro. A influência de Elis na minha formação é enorme, sempre gostei de sua força, sua maneira forte de cantar. “O que tinha de ser”, do disco ElisTom mesmo é a minha música do coração. Quando ouvi, me fez chorar."

Bruna Caram

"Com 14 ou 15 anos, quando comecei a estudar canto, minha professora, Lucila Novaes, estava lendo a biografia de Elis. Sem nem conhecer a obra da cantora, comprei o livro e me debulhei sobre ele. Fui ouvindo cada canção à medida que aparecia na história. Foi muito, muito emocionante. E por ter lido essa biografia que entendi, pela primeira vez na vida, que cantar era coisa séria. Uma das primeiras músicas que ouvi – e assisti ao vídeo – foi “Arrastão”. Fiquei maravilhada. Elis tinha só 19 anos na época, como pode? Com aquela força, ousadia, coragem, sensibilidade, vozeirão, alma. Eu adoro a canção "Vou Deitar e Rolar". Vibrante, divertida, com um leve ar de pé-na-bunda-bem-humorado, tem tudo o que amo cantar."

Roberta Sá

"Parece que nasci ouvindo Elis Regina. O primeiro disco que escutei foi ElisTom, para mim, um dos melhores até hoje. Lembro de ter pensado “Uau! O que é isso? Que voz é essa?”. Tem algumas coisas da Elis que me acompanham até hoje, sua busca por um canto técnico e ao mesmo tempo emocionado me inspira muito. Cheguei até a gravar Modinha, no meu DVD Pra Se Ter Alegria. Fico pensando em como ela morreu jovem e o quanto nós perdemos com a sua morte."

VIVA ELIS!

A partir do dia 17 de março, data em que Elis Regina completaria 67 anos, sua filha, a cantora Maria Rita, fará cinco shows gratuitos, com um repertório que ficou conhecido na voz da mãe. A turnê estreará no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, e passará ainda por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. As apresentação fazem parte do projeto Viva Elis, organizado por João Marcelo Bôscolli, também filho da cantora.

Também serão colocados à venda, a partir do segundo semestre, dois álbuns da cantora, em reedições ampliadas, com mais do que o dobro das faixas que havia nas versões originais em LP. Transversal do Tempo, lançado em 1977, traz o roteiro completo do show Elis em dois atos, com 25 números e temas inéditos. O original incluía apenas 12 canções. Também gravado ao vivo, Montreux Jazz Festival registra a participação de Elis no festival suíço, em 1979.

A Universal Music prepara ainda uma caixa com a discografia de Elis Regina na gravadora, com álbuns lançados entre 1965 e 1979. Um livro biográfico e um documentário com depoimentos de artistas e amigos que conviveram com Elis, entre eles Nelson Motta, Roberto Menescal, Gal Costa, Gilberto Gil e Fagner completam a série de homenagens.

 

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Rio Bossa Nova: Um Roteiro Lítero-musical  (BOSSA NOVA) escrito em sexta 27 janeiro 2012 16:17

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Um passeio pela geografia e pela história da Bossa Nova. Incomodado com as queixas de um turista inglês que dizia não saber onde escutar Bossa Nova no Rio de Janeiro, o escritor Ruy Castro resolveu mostrar que, em se tratando de música, cada cidade tem seus segredos. De 2006, ano de lançamento da primeira edição, para cá, muita coisa mudou: lugares fecharam e outros abriram. Mas a Bossa Nova permaneceu de pé, tocada e apreciada em vários cantos da cidade. Esta nova edição foi inteiramente revista e atualizada pelo autor, que se propôs a uma nova e prazerosa peregrinação pelas ruas do Rio, conversas com músicos e pesquisas em suplementos culturais de jornais cariocas, para encontrar – e reencontrar – os points que atualmente abrigam atrações do gênero.
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CINEMA BOSSA NOVA (1)  (BOSSA NOVA) escrito em sexta 27 janeiro 2012 15:58

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Nelson Pereira dos Santos conheceu Tom Jobim naqueles anos de Bossa Nova e Cinema Novo, entre as décadas de 1960 e 1970. Ele não recorda bem a ocasião, mas diz que foi Cacá Diegues quem apresentou os dois. O convívio se tornou mais intenso em 1978, quando Tom, Miúcha, Toquinho e Vinicius de Moraes

passaram quase um ano fazendo shows no Canecão. Na época, Nelson namorava Miúcha e a acompanhava frequentemente às apresentações. A cantora, aliás, assina com Nelson os roteiros dos dois documentários.

Anos depois, em 1984, Nelson fez seu primeiro filme com Tom, que foi intitulado... “A música segundo Tom Jobim”. Tratava-se de um programa para a antiga TV Manchete, em que o maestro recebia outros artistas em sua casa, no Jardim Botânico, para falar de Música Popular Brasileira. De acordo com Nelson, os originais do programa foram perdidos. Mas, na internet, é possível encontrar vídeos em que Tom conversa com Gal Costa, Chico Buarque e Radamés Gnattali, por exemplo.

— O pessoal do Cinema Novo tinha muita relação com o Tom. Ele fez músicas para o Joaquim (Pedro de Andrade, no filme “Os Inconfidentes”) e para o Paulo Cesar (Saraceni, em “Porto das caixas”) — afirma Nelson. — O Tom foi universal. Eu me lembro de estar em Nova York nos anos 1970, pegar um táxi e ouvir uma música dele no rádio. Aí falei para o taxista que aquilo era música brasileira. O taxista então se revoltou.

Disse que não, que aquilo não era música brasileira, que era bossa nova.

A data de estreia de “A música segundo Tom Jobim” — o novo documentário, é claro — parece ter sido escolhida a dedo: 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro do Rio, cidade em que Tom nasceu e pela qual se declarou tantas vezes apaixonado. Pouco depois, em 25 de janeiro, celebra-se o nascimento do

maestro.

Passagem por festivais

O filme já teve passagens pelos festivais de Nova York, Copenhague e Santa Maria da Feira, em Portugal. NoFestival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), o principal do mundo no gênero, em novembro, uma sessão de “A música segundo Tom Jobim” estava lotada numa quarta-feira, às 13h15m. A plateia, inclusive, manteve-se firme e atenta até a hora em que sobem os créditos, que é quando são apresentadas as legendas de todos os intérpretes que estão no filme.

— Esse estilo de se colocar legenda em tudo é um hábito criado pelo jornalismo televisivo, onde há uma necessidade de se explicar tudo o que aparece na tela. No cinema isso não é necessário — diz Nelson. — O que a gente quis fazer foi deixar o espectador ter prazer com a música. A informação vem depois.

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'A música segundo Tom Jobim'  (BOSSA NOVA) escrito em quarta 25 janeiro 2012 15:16

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O Documentário A Música segundo Tom Jobim foge a qualquer conceito do que seria um documentário tradicional: o uso de imagens se intercalando com palavras. Nesse caso, o diretor Nélson Pereira dos Santos num trabalho que começou em 2008, deixou de lado a palavra e valorizou somente a obra musical do grande compositor falecido em 1994.

São 42 músicas em quase 90 minutos de filme que revisita grande parte da obra do que é hoje aclamado como o maior compositor que o Brasil já teve. Cantores como Elis Regina, Gal Costa, Henri Salvador, Frank Sinatra, Chico Buarque, Caetano Veloso, Sammy Davis Jr, Ella Fitzgerald e tantos outros desfilam em clássicos como Garota de Ipanema, Desafinado, Sabiá, Águas de março, Anos Dourados e muito material musical contendo também imagens maravilhosas do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.

Alguns podem creditar o documentário como um grande clip, mas a habilidade do grande diretor de Vidas secas e Memórias do cárcere foi de dar nuances tão sutis emocionais que faz com que o filme se transforme numa grande sinfonia que dá pena quando acaba. É pura catarse. Importante também é destacar o trabalho de garimpo da co-diretora Dora Jobim e de Antônio Venâncio procurando clipes em parte conseguidos nos acervos que o Instituto Tom Jobim possui.

Essa ousada e brilhante forma de se fazer esse documentário é a grande sacada do filme que tem tantas cenas musicais antológicas que é difícil destacar alguma, mas no quesito idolatria tem uma Judy Garland em fim de carreira cantando num programa de televisão americano Insensatez. Fica também a dica do próximo documentário de Nélson Pereira dos Santos: A Luz do Tom, dessa vez falado, com depoimentos de três mulheres que conviveram intimamente com Tom, suas duas esposas, Ana e Thereza, e sua irmã Helena.

Cotação: *** (Excelente)

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Sem usar palavras, documentário conta trajetória musical de Tom Jobim  (BOSSA NOVA) escrito em quarta 25 janeiro 2012 15:14

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Com estreia prevista para o dia 20 deste mês em cinemas de todo o país, o documentário A Música Segundo Tom Jobim mostra a trajetória do compositor brasileiro, autor de obra mundialmente reconhecida como uma das mais importantes da música popular do século 20. Concebido com base na música do “maestro soberano”, com imagens em movimento e fotográficas – não há uma palavra sequer no filme - o documentário tem na direção um dos mais importantes cineastas brasileiros, Nelson Pereira dos Santos, em parceria com a neta de Tom, Dora Jobim.

A decisão de trabalhar unicamente com o acervo de fotos e filmes da família do compositor e os arquivos obtidos pelo pesquisador Antonio Venâncio foi do diretor de Vidas Secas e Memórias do Cárcere, entre mais de 20 filmes premiados. “Vi que em cada imagem havia outra história, e mais outra. Era uma história dentro da outra, contando tudo por meio da música”, disse o cineasta, ao explicar que o material podia, por si só, mostrar a trajetória de Antônio Carlos Jobim (1927-1994).

Com experiência na área dos DVDs musicais, Dora Jobim, que divide a direção com Nélson, foi responsável pelo levantamento extenso do acervo fotográfico e de imagens da viúva de Tom, Ana Jobim. O resultado é uma sucessão de imagens do próprio compositor e de cantores brasileiros e estrangeiros, em interpretações de clássicos do repertório jobiniano.

São mais de 40 nomes interpretando as canções de Jobim ao longo dos 90 minutos do documentário. Entre os brasileiros estão Elizeth Cardoso, Maysa, Elis Regina, Nara Leão,Gal Costa, Nana Caymmi, Miúcha, Adriana Calcanhoto, Agostinho dos Santos, Vinicius de Morais, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Carlinhos Brown. A relação de intérpretes internacionais inclui nomes como Frank Sinatra, Judy Garland, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Errol Garner, Henri Salvador e as contemporâneas Diana Krall e Jane Monheit.

Produção da Regina Filmes, o documentário tem roteiro assinado pelo próprio Nelson Pereira dos Santos, juntamente com a cantora Miúcha. A direção musical ficou a cargo do filho de Tom, o também músico Paulo Jobim.

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