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BOSSA NOVA

Todos nós que fazemos música sabemos da importância de Johnny Alf na formação da moderna música br  (BOSSA NOVA) escrito em quarta 10 março 2010 20:25

RIO - Morreu nesta quinta-feira, em São Paulo, Johnny Alf, cantor, compositor e pianista inovador reconhecido como um dos precursores da bossa nova. Autor de clássicos da música brasileira, como "Eu e a brisa" e "Rapaz de bem", o músico, que influenciou artistas como Tom Jobim e João Donato, sofria há três anos com um câncer de próstata. Sem parentes, ele vivia internado numa clínica de repouso em Santo André, no ABC Paulista. Nas últimas semanas, seu estado de saúde piorou e ele foi internado no hospital Mario Covas, na cidade. Ele tinha 80 ano.

Alfredo José da Silva nasceu em 19 de maio de 1929 no Rio de Janeiro. Logo aos 3 anos, perdeu o pai, um cabo do Exército. Sua mãe passou a trabalhar como empregada doméstica para uma família na Tijuca, que percebeu os dons musicais do garoto e passou a incentivá-lo. Dos 9 aos 14 anos, estudou piano clássico, quando se apaixonou, em suas idas ao cinema, pela música refinada de compositores Norte-americanos como Cole Porter e George Gershwin. Nesta época, formou seu primeiro conjunto musical com amigos de Vila Isabel, com quem costumava se apresentar na Praça Barão de Drummond.

 

Por sugestão de uma amiga, adotou o nome artístico Johnny Alf. Em 1952, gravou seu primeiro disco, um 78 rotações, com as músicas "Falsete", de Alf, e "De cigarro em cigarro", de Luís Bonfá. No mesmo ano, a cantora Mary Gonçalves gravou quatro canções suas; entre elas estava "O que é amar". No ano seguinte, Alf registrou "Rapaz de bem", mas só gravou o primeiro LP em 1961. Em 1967, mesmo eliminada no Festival da Record (onde foi defendida pela cantora Márcia), a música "Eu e a brisa" se tornou um dos grandes sucessos de seu repertório, que não reconhecia fronteiras entre o jazz, o samba e a bossa nova.

- Escutei música clássica, gosto de Debussy, Ravel, Bach... Escutei muita canção americana e brasileira. No jazz, era louco pelo trio de Nat King Cole, assisti aos musicais de Hollywood e sempre gostei de literatura. Mas a mistura de toda essa formação não explica nada. É algo interno - explicou o músico, em entrevista ao GLOBO em 2008, quando já vivia internado na clínica de Santo André.

O bossanovista Carlos Lyra lembrou que sua geração o via como ícone.

- A importância dele para nós é muito grande, porque ele foi um dos precursores da bossa nova. Eu conheci o Johnny em 1954, quando ele tocava no Bar do Plaza, no Leme, e sempre que eu podia ia para lá, entrava escondido, porque era menor. Nós iamos todos pra lá, o Tom, João Gilberto, Silvinha Teles, Dolores Duran, Billy Blanco, toda essa turma ia para lá ver o Johnny tocar. Era era muito carinhoso, fino, bacana. Era um gentleman.

A música dele era delicada, romântica, uma musica cool, de influência do jazz americano, que ele conhecia muito bem, e ele deixou isso para a bossa nova - disse.

Alf foi reconhecido como precursor da moderna canção brasileira. Seguiu gravando discos e fazendo shows ao longo das décadas seguintes, ainda que esporadicamente - sua discografia oficial não ultrapassa 20 discos. Apesar de esquecido nas comemorações dos 50 anos da bossa nova, é sempre lembrado por artistas como Caetano Veloso, João Donato (que teve aulas de piano com ele na Tijuca), Emílio Santiago. Na entrevista de 2008, ele explicou com simplicidade de onde tirou sua originalidade musical.

- Veio daqui de dentro - disse, apontando para o coração.

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Depoimento de Cláudia Telles sobre Johnny Alf : Ele fazia parte do tripé da bossa nova  (BOSSA NOVA) escrito em terça 09 março 2010 19:16

Minha mãe, Sylvinha Telles, era muito amiga de Johnny Alf e o chamava de “meu irmão preto”.

Eu acabei desenvolvendo um carinho muito grande por todas as pessoas próximas a ela, e de quem ela gostava. O Johnny era uma dessas pessoas, e eu tive a oportunidade de encontrá-lo algumas vezes, como num show que fizemos juntos no antigo Bar do Tom, onde ele me mostrou uma música inédita Mais que nós, em parceria com Rômulo Gomes.

Gravei essa música no meu disco Sambas e bossas, de 2003, no qual também constava Eu e a brisa, um de seus grandes sucessos. Embora Johnny dissesse que não queria mais que regravassem essa música, permitiu que eu a incluísse no disco, pois dizia que eu não economizava no canto.

Na gravação de Mais que nós, ele gravou o piano e eu pedi que ele cantasse. Com a voz meio rouca, Johnny cantou apenas a última frase, como que assinando a canção.

Durante a gravação, como faltava dinheiro para produção, ele veio para o Rio de ônibus, com seus meios próprios, o que atesta o carinho que tinha por mim e por minha mãe e o seu desprendimento como artista.

No meu disco seguinte, Quem sabe você, pedi uma música para ele e seu empresário me mandou algumas, já que o Johnny estava internado. Gravei, então, outra inédita dele chamada Ai saudade, também em parceria com Rômulo. A escola que ele deixou em termos de harmonização e divisão musical foi muito importante.

Meu tio Mário Telles costumava dizer que a bossa nova era formada pelo seguinte tripé: a harmonia de Johnny Alf, a interpretação de Sylvinha Telles e a batida de João Gilberto. Fica viva na minha memória a sua tranquilidade, a fala mansa, a cabecinha inclinada pro lado quando estava ao piano e o sorriso no canto da boca. Gostaria que as pessoas que não conhecem seu trabalho buscassem saber do baita compositor e intérprete que era Johnny Alf .

Cláudia Telles

CANTORA

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JOHNNY ALF na CALÇADA da FAMA de IPANEMA  (BOSSA NOVA) escrito em terça 09 março 2010 19:16

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Mort de l’un des plus grand musicien de Jazz brésilien, Johnny Alf  (BOSSA NOVA) escrito em terça 09 março 2010 06:31

Mort de l’un des plus grand musicien de Jazz brésilien, Johnny Alf qui fut aussi l’un des pécursseurs de le Bossa Nova. J’eus une fois l’occasion de converser à Rio de Janeiro avec ce personnage d’un simplicité touchante; ce fut le jour où il grava ses mains  à Ipanema pour le trottoir des célébrités. Peu de temps après lors d’un concert memorable à Rio j’avais pu admirer son talent dont le nievau n’était pas sans rappeler celui du legendaire pianiste canadien Oscar Peterson.

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João Donato falando de Johnny Alf: Perdi um amigo e um professor  (BOSSA NOVA) escrito em terça 09 março 2010 06:28

Conheci Johnny Alf quando morávamos na Tijuca. Eu frequentava muito a casa dele quando

adolescente, na Rua São Francisco Xavier, para ouvir discos e vê-lo tocar. Ele era um pouco mais velho que eu e tinha mais experiência, principalmente em relação à assimilação do jazz americano.

Como ele tinha um ouvido muito bom, tirava canções dos discos de Sarah Vaughan e Sinatra, por exemplo, e nos mostrava depois como tocá-las.

Ele representava a mistura do jazz com o samba muito bem, o que não era muito aceito nos anos 50, quando ele começou a fazer isso, já que o moderno demora um pouco a ser assimilado. As harmonias dele foram o que sempre me atraiu, além do ritmo balanceado. Bebi muito da sabedoria de Jhonny Alf, onde ele tocasse na noite eu estava lá, pois me identificava muito com ele.

Quando o ouvia pensava: “A coisa é por aí..”. Acho que até mesmo depois do sucesso da bossa nova ele nunca foi muito compreendido pelo público, apesar de todos os músicos terem admiração por ele. Nunca fez o tal do “sucesso”, mas isso não o incomodava, pois não admitia fazer concessões na sua música.

Perdi um amigo e um professor que me ensinou muita coisa e ainda me ensinaria outras tantas ”.

João Donato

CANTOR E COMPOSITOR

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